Consciência Negra

Tenho na minha raiz o negro, o índio e europeus. Tenho sangue crioulo. Tenho na minha raiz, embaçada pela história que desconheço, um pé colado em Obatalá e em Tupã. Hoje é dia de festejar, não so de lembrar (isso é dever de todo brasileiro todos os dias), a nossa raiz africana. E até que Olorum me chame, é dever meu de cada dia jamais permitir que meus irmãos e primos negros percam uma oportunidade na vida. Boa parte do sangue que corre nas minhas veias veio da África, de escravos, trabalhadores, favelados, indigentes, sem nome, de identidade roubada, que morrem nas ruas e que só descem ao asfalto para  trabalhar. O sangue que aqui corre vem do Preto que tirava o sustento da pedreira e do samba tocado na caixa de fósforos a alegria. Minha primeira casa foi a Favela Morrão de São Fidélis.
Mesmo assim, mesmo depois de tantas misturas, peço licença pra homenagear uma das minhas mais profundas raízes e que estão fincadas debaixo do céu de Aruanda. Meu sangue é tão vermelho quanto o de qualquer preto que derramou sangue no tronco e que derrama até hoje na sarjeta, derrama no trabalho, derrama no ato de tentar viver dignamente num país que tanto mata.
Rendo minhas homenagens, pedindo licença a meu avô que conseguia o sustento na casa de Xangô, que fazia samba de roda na caixa de fósforos, que vem do meu lado abo.
Do bairro do Pelourinho ao bairro da Liberdade, de Kulumbu do Patuazinho ao Negro Lúcio.
Ìforíbalę, nação Nagô.

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